Engenheiro Ivaltemir Barros participa do planejamento da Barragem do João Leite desde o início, considera um marco o vertimento do reservatório, ocorrido no dia 8 de janeiro, e alerta para riscos ambientais na área em volta do lago.

Entrevista - 25/01/2011 - 09:25:05

 Foto grande - 26_MFG_588_0-24-01-11-Tinil-BarrJoaoLeite-Vert-Leoiran-7967.jpg 

A Barragem do Ribeirão João Leite atingiu sua cota máxima normal, tendo vertido pela primeira vez há cerca de dez dias. O que isso significa? Existe risco de rompimento da barragem?
Ivaltemir Barros - O vertimento é o momento mais importante na operação da barragem. Para mim, que estou envolvido no projeto há 15 anos ,é um marco. O extravasamento representa a maturidade da barragem. A cota máxima maximoro que o reservatório poderá atingir será de 751, 5 metros e com o atual volume alcançou os 749, 5 metros. Com esse acontecimento, a qualidade da água também melhora porque ela chega no ponto de captação, 22 quilômetros abaixo do reservatório, com mais oxigênio justamente pela movimentação da água. Mas não existe risco de transbordamento, para isso seria necessário ocorrer o que chamamos de Precipitação Máxima Provável (PMP) na cabeceira do Ribeirão João Leite, em Anápolis, atingindo uma cota acima dos 751,50 metros, o que é muito difícil de acontecer.

Quais são os meios de se prevenir que isso aconteça?
Ivaltemir Barros - Barragem nenhuma rompe sem avisar. Os sinais são dados de seis meses a um ano antes. Temos quase 200 instrumentos para monitorar o funcionamento da barragem, que são lidos todos os dias. A partir daí, é feito um diagnóstico. Além disso, o João Leite não tem histórico de enchentes drásticas.

Ainda neste mês uma carreta carregada de óleo saiu da pista na BR-153 e caiu no lago. Que medidas foram ou estão sendo tomadas para evitar acidentes como esse, que podem contaminar a água do reservatório?
Ivaltemir Barros - Já existe um Plano de Contingência contra Acidentes com Produtos Perigosos elaborado pela Saneago e apresentado para diversas autoridades envolvidas: as polícias Rodoviárias Estadual e Federal, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - Dnit entre outros. A maior preocupação é com os cinco pontos de intersecção do reservatório com a BR-153. Nós propusemos a construção de bacias de contenção, uma espécie de valeta, para impedir, por exemplo, que haja derramamento de carga tóxica na água. A idéia está sendo avaliada pelo Dnit, que também deverá instalar barreiras eletrônicas nos trechos mais críticos. 

Neste período chuvoso, os motoristas que passam por aqueles trechos correm algum risco no caso de desbarrancamento do terreno?
Ivaltemir Barros - É importante ressaltar que também não há risco de deslizamento nesses locais, porque os taludes - inclinação do aterro - foram estabilizados através do processo de enrocamento, barreiras de contenção formadas por pedras a fim de evitar erosões. Também nesses pontos de encontro com a rodovia foram colocados bueiros  para que a água possa passar de um lado para o outro.

Como gerente operacional da Barragem, qual o maior problema que você enfrenta?
Ivaltemir Barros - Poucas pessoas estão se preocupando com a proteção da área no entorno do reservatório. Boa parte das áreas particulares no entorno do reservatório foi desapropriada, mas ao longo de sua extensão há 19 fazendas e alguns donos insistem em utilizar a área de proteção do reservatório para criação de seu gado. Um proprietário chegou a utilizar a área de proteção do reservatório para criação de mais de mil cabeças de gado, por alguns meses. Foram colocadas placas de sinalização a cada 200 metros, informando que é proibida a entrada e que se trata de um reservatório para abastecimento público. Também foram implantados cerca de 74 quilômetros de cerca em volta de toda a área de proteção do reservatório. Mas vez ou outra há alguém querendo pescar no reservatório. Falta conscientização. As pessoas precisam entender que se trata de um reservatório para abastecimento público. Elas podem contemplar, mas não precisam degradar.

A Barragem foi inaugurada em fevereiro de 2010, com previsão de abastecer a população de Goiânia e áreas conurbadas até o ano de 2025. Como estão as obras para garantir a distribuição de água?
Ivaltemir Barros - Goiânia utiliza dois rios para a captação de água bruta: o Ribeirão João Leite e o Rio Meia Ponte. Cada um contribui com uma  vazão de aproximadamente de 2 mil litros por segundo para atender a capital e áreas conurbadas. A barragem e o reservatório são parte do sistema produtor do João Leite. Agora, já foi dado início à construção das outras unidades do sistema, que são a estação de bombeamento de água bruta, adutoras de água bruta e tratada e estação tratamento de água. As obras estão orçadas em  R$ 183 milhões, recursos que já estão garantidos pelo BNDES, Caixa Econômica Federal, Governo do Estado e próprios da Saneago, entre outros. A conclusão está prevista para dentro de dois anos e irá garantir o fornecimento de água potável para cerca de 2,5 milhões de pessoas de Goiânia, Aparecida e Trindade até 2025.

 

 

 

     

É permitido o uso total ou parcial das matérias desde que citada a fonte

Pesquisar

Calendário

<<   AGOSTO   >>
D S T Q Q S S
  1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31  
É permitido o uso total ou parcial das matérias desde que citada a fonte
AGECOM - Agência Goiana de Comunicação (GDI)